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Sonho da casa própria mais uma vez interrompido: Preço Cimento dispara de 9 mil para 15 mil kwanzas em Cabinda

O preço do cimento está a gerar preocupação entre os cidadãos, particularmente na província de Cabinda, onde o saco de 50 quilogramas, anteriormente vendido a cerca de 9.000 kwanzas, terá passado para 15.000 kwanzas, representando um aumento de aproximadamente 66,7%.
A subida agrava as dificuldades das famílias que pretendem construir casa própria, numa altura em que o custo de vida, as rendas habitacionais e as denúncias de burlas relacionadas com terrenos e habitações aumentam a pressão sobre os cidadãos. Os consumidores pedem a intervenção urgente do Governo Central para travar o agravamento da situação.
As dificuldades de abastecimento em Cabinda não são recentes. Em Outubro de 2024, o jornal OPAÍS noticiou que o saco de cimento já atingia os 10.000 kwanzas, apontando os custos de transporte, as limitações portuárias e as dificuldades de fornecimento como factores que contribuíam para o encarecimento do produto. Entretanto, as dificuldades de produção de algumas unidades industriais, associadas a problemas operacionais e de fornecimento de combustível, também foram apontadas pela imprensa como factores de pressão sobre o mercado nacional. A questão que se coloca é por que razão o cimento continua a chegar a determinados consumidores a preços tão elevados, apesar da existência de produção nacional.
Outro ponto que exige esclarecimento está relacionado com a distribuição e a comercialização do cimento. Existem preocupações públicas sobre a concentração de fornecedores, as margens aplicadas pelos intermediários e a possibilidade de práticas especulativas em mercados com oferta limitada. Contudo, não existem elementos suficientes para responsabilizar comerciantes específicos, incluindo empresários chineses, pela subida registada em Cabinda. Cabe às autoridades competentes fiscalizar os stocks, analisar as facturas, comparar os preços de aquisição e venda e investigar eventuais práticas anticoncorrenciais, garantindo que qualquer acusação seja sustentada por provas.
Em Fevereiro de 2026, o Governo anunciou a autorização para a importação de 250 mil toneladas de cimento, com entregas previstas até Junho do mesmo ano. Perante os preços agora reportados, torna-se necessário esclarecer se as quantidades previstas foram efectivamente importadas e distribuídas, bem como determinar quanto produto chegou a Cabinda e a outras províncias. O agravamento dos preços da construção, associado à subida das rendas, pode dificultar ainda mais o acesso à habitação, enquanto as burlas relacionadas com terrenos e promessas de casas continuam a representar um risco adicional para famílias que procuram alternativas habitacionais. A alegada extensão da subida a outras regiões do país precisa, entretanto, de confirmação através de um levantamento actualizado dos preços.
A situação ameaça adiar o sonho da casa própria para milhares de jovens e famílias que constroem progressivamente, com recurso às suas poupanças. A Gingona Comunica apela à divulgação de dados transparentes sobre a produção nacional, as importações, os stocks disponíveis e os preços praticados pelos distribuidores, bem como ao reforço da fiscalização do mercado. O Governo Central, o Ministério da Indústria e Comércio e as empresas produtoras devem esclarecer as causas desta subida e apresentar medidas concretas para melhorar o abastecimento. A grande questão permanece: como podem os cidadãos construir as suas casas e garantir um futuro habitacional digno quando o preço dos materiais continua a aumentar e o acesso à habitação se torna cada vez mais difícil?


