Quinta-feira, outubro 1, 2020

Genro de Agostinho Neto transferiu cerca de 3 bilhões USD para o exterior

Notícias de Angola – Genro de Agostinho Neto transferiu cerca de 3 bilhões USD para o exterior

Um relatório de inspeção da Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG), indica que o antigo presidente do Conselho de Gestão das AAA, Carlos Manuel de São Vicente genro de Agostinho Neto, transferiu,  durante a sua gestão, cerca de 2,9 mil milhões de dólares, valores estes justificados ao Banco Nacional de Angola (BNA) como pagamentos de resseguros.

A ARSEG, por sua vez, dentro das suas obrigações, remeteu o relatório de inspeção ao gabinete do então Presidente José Eduardo dos Santos (JES), desconhecendo-se até à data a reacção deste, em termos de punição. Sabe-se apenas que o ex-Presidente da República esvaziou depois as AAA, por força do Despacho Presidencial n.º 39/16, de 30 de Março.

Não obstante os alertas do relatório da ARSEG, as AAA já eram citadas em informações que remontam a 2013, que apontavam cenários de colapso decorrentes de graves problemas de gestão. Ao tempo de Francisco Lemos Maria, a Sonangol, na qualidade de maior accionista, chegou a ordenar limitações dos negócios desta seguradora.

Lemos Maria retirou das AAA a gestão do Fundo de Pensões da petrolífera estatal, assim como pôs fim aos resseguros por uma empresa nas Bahamas. As petrolíferas que operaram em Angola também se retiraram das AAA, por decisão do Governo, ameaçando a sobrevivência desta seguradora liderada por São Vicente.
Em Outubro de 2013, o antigo Presidente José Eduardo dos Santos chamou a si a decisão sobre o destino do património da Sociedade AAA Activos, Limitada, que observava falecia. Por decisão expressa no Despacho Presidencial n.º 103/13, por si assinado, os 22 edifícios desta empresa de seguros, localizados nas 18 províncias do país, foram transformados em tribunais provinciais.

Num recente relatório sobre a actividade do sector, a ARSEG recorda que, “em 2016, o ramo petroquímico sofreu uma alteração substancial” e que “o co-seguro deixou de ser tratado pela seguradora AAA, passando a ser assumido pela seguradora estatal (ENSA)”.

EDUARDO DOS SANTOS CHOCADO 

No sábado (29), Tchizé dos Santos, uma das filhas do antigo Presidente José Eduardo dos Santos, revelou em áudio que o seu pai ficou chocado ao tomar nota dos destaques de fim-de-semana, que davam conta de que a Suíça congelou cerca de 900 milhões  que Carlos São Vicente estaria a transferir para uma das suas contas.

JES, segundo relatos da filha, reconheceu ter autorizado a Sonangol a fazer os resseguros no sector dos petróleos em Angola, uma vez que reconhecia capacidade em São Vicente, mas nunca, salientou, imaginou que a Sonangol iria passar 90% das quotas das AAA a um privado. “Ele ficou chocado, de boca aberta”, de acordo com Tchizé Santos.

INVESTIGAÇÕES

Em Julho passado, o Club-K reportou que as autoridades judiciais angolanas moveram discretas investigações contra Carlos Manuel de São Vicente, que é casado com Irene Alexandra da Silva Neto, a primogénita do “guia imortal” do MPLA, a fim de ver esclarecidas antigas suspeitas, segundo as quais teria usado fundos públicos das AAA – empresa que pertenceu a Sonangol – para obtenção de acções no Standard Bank-Angola.

O Standard Bank-Angola é detido pela AAA-Actives, com a participação de 49%, enquanto que a outra parte pertence ao banco “mãe” sul-africano, com o mesmo nome.

Constituída aos 11 de Julho de 2009, a AAA-Actives (com o nome que se confunde com o da AAA-Seguradora), tem como accionista maioritário Carlos Manuel de São Vicente com 99,9% das ações e uma outra sócia, Neide Patrícia Nunes Van-Dúnem.

Em 2017, meses depois da saída de José Eduardo dos Santos do poder, Carlos São Vicente concedeu uma entrevista ao Novo Jornal declarando que Angola é um país de corruptos. “Temos um país com 42 anos de Independência, que já foi uma colónia, quis ser socialista, depois perdeu-se e não sabe para onde vai”, disse o economista, concluindo: “Angola não tem dólares dos EUA porque é um país com corruptos que roubam com total impunidade o dinheiro do Estado, que é de todos nós”.

SÃO VICENTE RESPONDE 

No passado dia 10 de Julho, o economista reagiu à matéria do Club-K, dando a sua versão dos factos e alegou que “a AAA SEGUROS não faliu”. “Houve uma dissolução forçada em consequência da retirada do co-seguro das actividades petrolíferas, por força do Despacho Presidencial n.º 39/16, de 30 de Março. Em 6 de Abril 2019, a Assembleia-Geral das AAA SEGUROS AS deliberou a sua dissolução. Presentemente a sociedade está em liquidação”.

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