Em 1997 alguns dirigentes do MPLA roubaram os salários dos sargentos e soldados da UGP e criaram o Banco Sol

Banco Sol para a justiça

Denúncia – Em 1997 alguns dirigentes do MPLA roubaram os salários dos sargentos e soldados da UGP e criaram o Banco Sol

Em mil novecentos e noventa e sete, alguns dirigentes da Direcção do MPLA nomeadamente Fortunato Lopo do Nascimento, Fernando da Piedade Dias dos Santos Nandó, Roberto de Almeida, Julião Paulo “Dino Matross” e Níto Teixeira participaram do roubo dos salários dos oficiais, sargentos e soldados das tropas da Unidade da Guarda Presidencial e criaram o Banco Sol, afirmou ao Jornal Hora H, o brigadeiro desmobilizado Lopes Mufuma Dala.

Segundo o antigo homem do gatilho, uma parte do referido dinheiro foi aplicado na criação da empresa de segurança “Seguro Socorro e o Banco Sol” que são propriedades dos dirigentes do partido no poder, e este processo é que originou a cadeia do general Fernando Garcia Miala.

De acordo com a fonte, as verbas que se refere são salários dos militares da UGP que foram desviados, e na altura os mesmos eram processados no Comando-Geral da Polícia Nacional e hoje ainda existem gabinetes que resolvem estes problemas na cede do partido.

“Neste mesmo ano, a maioria da direcção do MPLA participaram do roubo a partir da Assembleia Nacional até ao Palácio presidencial foram coniventes desde desvio dos dinheiros das tropas, tirando José Eduardo dos Santos, Ambrósio de Lemos e António Ferreira Júnior e, o gabinete que vela para estes assuntos ainda está na cede nacional do partido e na Vila Alice” acrescentou.

Lopes Mufuma que desvendou que é filho de Níto Alves, ex-membro do MPLA falecido no processo 27 de Maio de 1979, salientou que “O nosso suor está aí no Banco Sol e a empresa de segurança Socorro, sem sombra de duvidas”.

Ao notarmos este desfalque, escrevi para o senhor António Ferreira Júnior que de seguida deu-me um documento para dar sequência do assunto, e fiz o mesmo ao Ambrósio de Lemos que deu-me um documento e de seguida escrevi para o presidente José Eduardo dos Santos e assim a UGP declarou o golpe de estado, depois de ver os documentos que uni, declarou Mufuma.

De acordo com a fonte as figuras em causa roubaram dinheiro de dois mil quinhentos homens e, se as FAPLAS não defendessem este país, o MPLA não estaria onde se encontra agora, e depois de denunciar este desfalque diz o major que vive sob ameaças de morte por parte de altas figuras do partido dos camaradas.

E de um tempo a esta parte os efectivos que trabalham na portaria da cede do partido são militantes da Unidade da Guarda Presidencial (UGP), e fui eu quem fiz chegar estes elementos no partido para não falarmos dos que trabalham na recepção que são também provenientes do gabinete técnico da UGP, reforçou o Mufuma.

TENTATIVA DE ASSASSINATO

Eu fui ameaçado de morte pelos camaradas Julião Paulo Dino Matross Roberto de Almeida e o Níto Teixeira Xifuta, por estar a discutir os meus direitos e do povo angolano e, hoje não entro na cede do partido para seguir o processo por causa destes elementos que queriam me matar, frisou Lopes Mufuma Dala ao Jornal Hora H

Em dois mil e seis quando prenderam, julgaram e condenaram o general Fernando Garcia Miala poderiam ter feito o mesmo com Dino Matross, Roberto de Almeida, Lopo do Nascimento, Níto Teixeira e Fernando da Piedade Dias dos Santos Nandó para a prisão, mas isso não aconteceu e, esta foi a falha do camarada José Eduardo dos Santos.

O militar e brigadeiro desmobilizado, salientou que o ex-presidente da República José Eduardo dos Santos, havia orientado ao Lopo do Nascimento e Dino Matross para atenderem as suas inquietações mas os mesmos não cumpriram com as orientações de José Eduardo dos Santos, aí é que o camarada JES, na altura foi até a cede do partido e entregou o processo ao senhor Níto Teixeira Xifuta que na altura do roubo participou também no roubo do dinheiro das tropas da UGP, portanto o problema das verbas dos soldados, oficiais e sargentos desviadas por elementos bem identificados contínua sem resposta.

Repito mais uma vez que o dinheiro dos efectivos que as figuras a cima citadas roubaram, foi destinado a criação do Banco Sol e a empresa de segurança Socorro que protege o perímetro da presidência da república e as instituições bancárias do sol, que são propriedades do partido MPLA, frisou Mufuma Dala ao Jornal Hora H.

Hoje eu vivo na miséria, porque o MPLA tirou-me tudo por causa destes que achavam que o país é deles, e queria que o camarada JES ou João Lourenço para darem-me o que é meu de directo porque já trabalhei, para não falar da queixa-crime que já fiz e até agora não deu em nada.

E gostaria pedir ao camarada João Lourenço para saber separar o poder político com o judiciário, para que estes dirigentes que delapidaram o erário público possam ir para cadeia. E hoje não sei porque é que as pessoas com quem trabalhai ficam a me perseguir, como por exemplo Dino Matross lhe dei aulas no Huambo e nunca foi militar e, quem lhe levava para o refeitório era o José Leitão que trabalhou no gabinete do José Eduardo dos Santos.

Hoje não tenho ocupação conforme estas a ver senhor jornalista a minha idade já está a cobrar e não tenho onde trabalhar, eu defendi o MPLA com unhas e dentes, portanto gostaria que me dão os meus directos para levar uma vida condigna, afirmou ao Jornal Hora H, Lopes Mufuma Dala brigadeiro desmobilizado.

No princípio do contraditório, este semanário contactou no passado dia 30 de Outubro o político do MPLA, Julião Paulo Dino Matross, que ao se aperceber do assunto em causa o acusado disse “Olha eu vou ficar durante muito tempo sem fazer qualquer entrevista e, têm que me compreender”.

Estou a evitar as entrevistas porque as nossas intervenções cedidas a imprensa há sempre alguém que contrapõe, fabricam coisas, portanto além disso não estou em condições para o fazer porque quero evitar qualquer tipo de entrevista e não me levem mal, afirmou Dino Matross.

Por outro lado Lopo do Nascimento, contactado por este semanário, disse que a denúncia é infundada e que já abandonou o partido a mais de vinte anos e irá levar as barras do tribunal a pessoa que a denunciou e processar o Jornal Hora H, por calúnia e difamação.

Lopo acrescentou ainda que os dinheiros dos militares nunca estiveram no MPLA, mas sim eram geridos pelos serviços do gabinete da Presidência e eu fui expulso do partido em noventa e oito.

“O Banco Sol não é do MPLA e quem criou a referida instituição é o senhor Sebastião Lavrador e depois gente do MPLA entrou comprando acções e a mesma dependência bancária não foi criada nesta altura em que se referem”.

Portanto eu não sou sócio do Banco Sol e gostaria que me envia o nome da pessoa que denunciou para levar-lhe as barras do tribunal e também vou fazer o mesmo ao jornal por calúnia e difamação, afirmou Lopo do Nascimento.

Este semanário não baixou os esforços e procuramos contactar o Ex-director do gabinete da presidência da República, Níto Teixeira, e uma fonte próxima informou-nos que o mesmo havia apanhado Acidente Vascular Cerebral (AVC), e o estado de saúde do mesmo é preocupante.

Por outro lado, este semanário contactou na última segunda, o assessor de imprensa do presidente da Assembleia Nacional Fernando da Piedade Dias dos Santos Nandó, identificado apenas por Hamilton, o mesmo mostrou se indisponível em falar do assunto em causa.

Já o deputado do MPLA Roberto de Almeida e Nito Teixeira Xifuta, também acusados nos referidos dossier tudo fizemos para contacta-los mas sem sucesso.

O Jornal Hora H, escreveu para a direcção do Banco Sol, mas a referida instituição não responde a missiva.

Fonte: Hora H

One thought on “Em 1997 alguns dirigentes do MPLA roubaram os salários dos sargentos e soldados da UGP e criaram o Banco Sol

  1. Gostei da informação, existem ainda outros assuntos que andam nas gavetas e que na verdade devem ser expostos.
    Gostaria que viessem também, fazer um trabalho na Lunda-norte, existem muitos factos que devem ser desvendados.

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