Rixa entre Executivo e CEAST esfria relação entre Católica e MPLA

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Notícias de Angola – Rixa entre Executivo e CEAST esfria relação entre Católica e MPLA

Sem antídoto, por enquanto, para aliviar a tensão entre alguns segmentos do partido no poder devidamente identificados e a Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), nada impedirá o que desentendimento entre as partes, chegue até Agosto próximo, quando se realizarem as eleições.

Haverá motivos para que tal suceda? A resposta é seguramente NÃO! O diálogo desapaixonado pode acabar, de vez, com esta irritante animosidade. Os assuntos que desembocaram nesse mal-estar entre a igreja católica são, no fundo, associados às eleições, outros de índole social que cuja forma de abordagem não agrada quem governa.

Já se previa que a direcção da CEAST, com o Arcebispo de Saurimo Dom Manuel Imbamba à testa seria incisiva na abordagem de questões de relevo para o país.

Logo que o corpo directivo tomou posse no ano passado, evidenciou-se a sua acutilância, com recomendações que, agora sente-se, incomodam algumas entidades ligadas ao MPLA.

Não foi nada demais

A CEAST defende estado de emergência para combater a fome no sul de Angola, e alerta para necessidade de reconciliação nacional.

A primeira Plenária Anual da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) que terminou na última segunda-feira, na província de Benguela, apelou à transparência nas eleições gerais, com pedidos para a presença de observadores internacionais.

Sobre as eleições, o seu porta-voz, Dom Belmiro Chissengueti, sublinhou que a igreja trabalha por um processo inclusivo, sem preferências quanto ao vencedor.

Para a CEAST, as eleições devem ser internacionalmente observáveis. “Mas lá onde cada um estiver deve ser observador eleitoral, procurando trabalhar para a lisura do processo”, referiu, afirmando que a igreja pode dar o seu contributo, mas a parte essencial é o povo, que deve evitar o absentismo, fazer o seu registo e ver que documentos são necessários.

O ‘PECADO’ DOS BISPOS

O facto de porta-voz da conferência que é igualmente bispo de Cabinda, ter levantado alguns questões, alinhando com algumas posições defendidas pela oposição, no sentido de se ter eleições livres, justas e transparentes, enfureceu alguns militantes do MPLA.

Por exemplo, Dom Belmiro Chissengueti referiu-se à polémica em torno da contagem dos votos, salientando que a legislação eleitoral é “muito confusa neste aspecto, mas o melhor era, efectivamente, a contagem nas mesas, nos municípios e nas províncias, e depois fazer o total nacional”.

Quem alinha na mesma lógica é o presidente da CEAST e arcebispo de Saurimo, José Manuel Imbamba, para quem deve haver igualdade de tratamento das candidaturas e do que a estas estejam licitamente associado, a liberdade de expressão e informação no marco da lei, a liberdade de reunião e de manifestação, direito de tratamento imparcial pela toda comunicação social.

Uma das reacções contrárias à posição dos bispos da CEAST é do jornalista Ismael Mateus, que entende que a igreja faz questão de se meter tanto na política partidária, sugerindo mesmo que deveria apresentar um dos seus bispos como candidato.

“Num país laico e com tantas igrejas, ser religioso não dá legitimidade para falar pelos restantes cidadãos; isso só se consegue com escrutínio eleitoral”, reforçou.

“Ganhem coragem, assumam o desafio; mesmo com batinas, entrem no boletim de voto para ter legitimidade”, ironizou.

Alguns membros da sociedade civil sobretudo defensoras dos direitos humanos, já conjecturavam que mais problemas sociais seriam denunciados pelos bispos católicos durante o triénio 2021/2024. Ou seja, enquanto vigorar a actual direcção da CEAST que já foi rotulada como “team de revus”.

As organizações não governamentais como a OMUNGA e o Observatório Político e Social de Angola (OPSA) dizem estar de acordo com todas as posições defendidas pela igreja católica, sublinhando a necessidade de se promover o diálogo para resolver a tensão política em época de eleições.

Uma corrente foi criada ao nível das redes sociais, apoiando os bispos católicos. Outra, dos católicos, reagindo energicamente contra análises daqueles que crucificam a CEAST.

Padres e pastores erguem-se para dizer sim ao diálogo, ao estado de emergência e eleições livres e justas.

UM ANO DE PRESSÃO

A CEAST, nos últimos anos, tem tomado posições que remam contra o discurso e agenda das autoridades.

Nos dias 14 e 15 de Dezembro passado, na reunião de Luanda, a 1ª Reunião Ordinária do Conselho Permanente dos Bispos da CEAST convidam a comunidade religiosa e a sociedade em geral a serem construtores de pontes, consensos e fomentadores de diálogos construtivos entre todos.

Os bispos católicos exigiram, na altura, um processo eleitoral marcado por lisura e patriotismo.

UM CONSELHO DO VICE-PR

Noutro formato, e porque os pronunciamentos foram feitos noutro formato, o Vice-presidente da República, Bornito de Sousa, exortou os políticos a encararem o ano das eleições gerais, previstas para agosto, e de celebração dos 20 anos de paz como soberana oportunidade para reflectirem sobre a manutenção da paz e estabilidade.

O dirigente teceu tais considerações quando discursava na abertura de uma conferência magna alusiva ao 12.º aniversário da Constituição da República de Angola.

Ele recordou que as celebrações acontecem em ano eleitoral e coincidem com os festejos dos 20 anos de paz e reconciliação nacional. Por isso, dirigiu-se aos actores políticos, “a todos sem excepção, para que encaremos também esta ocasião como uma soberana oportunidade para a reflexão sobre a única opção que temos, que é da paz e da estabilidade”.

Para o Vice-presidente da República, o momento exige de cada um dos atores políticos a responsabilidade de fazer as melhores escolhas.

“Que sejamos capazes de congregar e edificar, e nunca jamais, separar e destruir aquilo que tanto nos custou, a independência, a paz e a liberdade”, persuadiu.

Na Mira Do Crime

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