Mais de 3 mil trabalhadores da ZEE à beira do desemprego

Notícias de Angola – Mais de 3 mil trabalhadores da ZEE à beira do desemprego

O Informativo Angolano soube que, mais de 3 mil trabalhadores da Zona Económica Especial (ZEE) correm o risco de desemprego e mostram-se contra as medidas que estão a ser tomadas pelo Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), responsável pelo plano de privatização total ou parcial deste pólo industrial, com base no Despacho Presidencial nº 77/18, de 04 de Julho.

Mais de 3 mil trabalhadores da ZEE à beira do desemprego

Em conferência de imprensa realizada ontem, em Luanda, os trabalhadores afirmaram que o IGAPE e a Sonangol Investimentos e Indústrias (SIIND), que tutela algumas fábricas do projecto, não estão interessados na manutenção dos seus empregos.

O presidente do Sindicato Democrático dos Trabalhadores da Indústria, Comércio e Serviços de Luanda (SINDETRAINCOSL), Carlos Samuel Neto, disse que nos últimos dias os trabalhadores têm sido confrontados com informações de despedimentos em massa, com promessas de posterior indemnização.

Segundo o sindicalista, o desejo dos trabalhadores é a manutenção dos três mil postos. Realçou que os processos de indemnização de muitas empresas no país dificilmente têm um desfecho favorável aos funcionários.

Carlos Neto apontou como exemplos os casos da Empresa Nacional de Pontes, Mecanogro e Paviterra, em que até agora muitos trabalhadores não viram a cor dos seus dinheiros.

“Tem equipamentos, mas não funcionam”

Na ZEE existem 53 unidades fabris, de acordo com os trabalhadores, mas, destas, menos de 10 funcionam, por falta de matéria-prima, água e energia eléctrica. “Destas 10, ainda temos cinco que funcionam a meio gás”, garante Carlos Neto.

Os funcionários dizem que na ZEE existem empresas com trabalhadores e estruturas com equipamentos, mas que, por falta de matéria-prima, não funcionam, sendo estas que, na opinião deles, devem ser submetidas à venda.

Para sustentar as suas afirmações, citaram exemplos da indústria de transformação de vidro (Univitro), a de Argamassa (Juntex) e a de sacos de cimento (Saciango) que, apesar de terem todas as condições para o seu funcionamento, encontram-se às moscas.

Eles atribuem culpas ao Governo pelo facto de ser o detentor das unidades fabris públicas e não colocar condições para o seu funcionamento em pleno. Realçam que as fábricas existem desde 2011, mas culpa-se a crise de 2014 pela sua inactividade.

Importa realçar que as fábricas adstritas à Sonangol Investimentos e Industrial (SIIND), instaladas na Zona Económica Especial Luanda-Bengo, fazem parte do plano de privatização (total ou parcial) de algumas empresas públicas em curso no país.

A ZEE é uma área com infra-estruturas criada no âmbito do plano de industrialização e diversificação da economia nacional, aberto para o investimento público e privado, nacional e estrangeiro.

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