Mais de 100 mil apartamentos construído com dinheiro do estado estão abandonados

Notícias de Angola – Mais de 100 mil apartamentos construído com dinheiro do estado estão abandonados, enquanto que 60% da juventude angolana vive em casa de chapa e de adobe

O Informativo Angolano soube que, Estima-se que, mais de cem mil apartamentos construídos com os dinheiros do Estado estão ao abandono, numa altura em que milhões de jovens estão na luta da casa própria, a constactação foi feita por este semanário, em algumas províncias deste país.

Províncias como Luanda, Cuanza Norte, Uíge entre outras, só para citar algumas, encontram-se vários projectos de habitação construídos como centralidades, condomínios residenciais que estão ao abandono e, apenas habitadas por insectos, situação que deixa a camada juvenil angolana perplexa, ante a distracção do governo liderado por João Lourenço, que não consegue contornar esta situação.

O que o LPN, apurou é que muitos destes projectos são pertença de alguns membros do governo, construídos com fundos públicos, outros foram instalados em locais do Estado, mas pertencentes ao privado.

Muitos destes projectos foram construídos por empresas chinesas, que tinham a China Internacional Fund Angola Lda (CIF), como a empreiteira que, segundo a fonte da mesma empresa, deve mais de 400 milhões de dólares às empresas chinesas, que construíram o novo Aeroporto Internacional de Luanda, cinco mil e oitocentos edifícios de quatro andares no projecto Kilamba, KKII 5, oitocentos (800) no município de Belas, e Zango-zero.

AS CONSTRUÇÕES ESPALHADAS POR LUANDA

O LPN, radiografou na última sexta-feira várias obras que o governo angolano entregou à China Internacional Fund, para que a mesma, com os fundos do Estado subcontratasse as empresas chinesas para executarem as obras, ficando assim com uma parte do dinheiro que o governo pagava para a execução das infraestruturas.

A primeira visita foi o projecto KKII no Distrito do Kilamba, onde estão a ser erguidas cinco mil e oitocentos edifícios e residências. A obra que o governo entregou ao CIF, também foi entregue a uma empresa chinesa, que abandonou ao meio a construção em 2016, alegando falta de pagamentos por parte do CIF, segundo uma fonte encontrada no local.

A fonte que trabalhava directamente com os empreiteiros chineses, disse à nossa reportagem que as empresas chinesas, que estão a construir os prédios estão à beira da falência porque o CIF nunca mais pagou o dinheiro orçado nos contratos e que, quando começaram a construção foram usando as suas verbas.

O governo deve mais de duzentos milhões de dólares só no projecto KKII do Kilamba. – “Hoje eles quando vêm aqui visitar a obra, ficam a lamentar e dizem que quando começaram as mesmas, fizeram contratos com algumas fábricas no país deles, para lhes fornecer o material e, assim que o CIF pagasse, eles também poderiam fazer o mesmo nas instituições onde iam buscar os materiais,” desabafou.

Muitas empresas que foram subcontratadas pelo CIF estão a ser processadas nos seus países, por irem buscar material para a construção de vários projectos e não terem honrado os pagamentos no tempo estabelecido.

O que eles fazem de bom é que não têm dívidas com os trabalhadores angolanos mas, com os chineses devem muito dinheiro, disse a fonte que não aceitou ser identificada.

Enquanto isso, “Os chefes chineses quando chegam aqui na obra dizem que não conseguem falar com o governo angolano, porque têm encontrado várias dificuldades;- acho que o governo deve procurar reunir as empresas chinesas para apresentarem as suas preocupações uma vez que foram elas que abraçaram a reconstrução do país depois da paz”, frisou.

“A obra está parada há um bom tempo e todos os materiais que seriam para a construção do projecto KKII 5, e 800, aqui no Kilamba estão a estragar, e é uma pena que várias residências se encontram deste jeito, mesmo tendo ainda muitos angolanos a viverem em casas de chapas”.

RESIDENCIAL VILA PACÍFICA

Vinte e dois edifícios já concluídos com quinze andares cada, encontram-se abandonados no Residencial Vila Pacífica, localizada no distrito do Zango, município de Viana, província de Luanda, cuja as obras foram sempre entregues à China Internacional Fund (CIF) e à outras empresas subcontratadas, informou a fonte encontrada no local.

A fonte salientou ainda que os mesmos edifícios estão orçados em mais de trezentos milhões de dólares, mas o CIF liquidou apenas uma parte ficando a maioria por se pagar.

O governo tem dívida de cem milhões de dólares, com os subempreiteiros chineses no projeto Kilamba KKII. “Se os senhores jornalistas prestarem bem atenção vão ver que os edifícios estão a ser vandalizados; roubaram o transformador de energia (PT), as portas, as janelas,
os jardins maltratados e passeios alagados por falta de manutenção”, disse a fonte.

É de salientar que a Sonangol abandonou a construção de reservatórios e, de acordo com as informações que fomos recebendo das fontes que íamos encontrando nos projectos, fomos checando as obras, que algumas empresas chinesas deixaram a meio, por falta de pagamento por parte das empresas que as subcontrataram.

Desta feita a outra paragem da nossa reportagem foi ao município da Barra do Dande, província do Bengo, onde se encontra abandonado desde 2016, a construção de vinte e nove tanques (reservatórios) de combustível, que serviriam para minimizar as dificuldades, em caso de falta dos produtos.

Já, no local apercebemos que a obra é da responsabilidade da Sonangol e que a mesma está há mais de três anos que não paga a empresa construtora, e os materiais para a construção e acabamento estão a estragar.

De acordo com uma fonte que não quis ser identificada, a Sonangol deve mais de cem milhões de dólares americanos à dez empresas que estão a construir o referido projecto mas, neste momento encontram-se apenas trinta trabalhadores a controlarem os estaleiros e que têm os seus salários pagos.

NO UÍGE, CASAS ABANDONADAS HÁ MAIS DE OITO ANOS

Um complexo habitacional com 80 casas, encontra-se abandonado há mais de 8 anos, em estado de degradação, na província do Uíge. Numa altura em que muitos jovens a nível da província, procuram concretizar o sonho da casa própria, o projecto habitacional, com cerca de 80 casas do tipo T3, está abandonado e as mesmas já se encontram em estado de degradação.

Um dos munícipes informou à nossa fonte que, desde que foram construídas as casas, a empresa responsável nunca apareceu no local, para proceder à comercialização das mesmas.

O director local do Urbanismo e Construção, Seluyeki Manuel lamentou o facto de as residências, com condições de habitabilidade encontrem-se abandonadas e apela aos proprietários para que coloquem à disposição da população que sonha com uma casa própria.

As obras das 80 residências pertencentes ao governo angolano, foram levadas a cabo pela empresa de construção civil G-África.

GOVERNO DESAPROPRIA RESIDÊNCIAS DA JUVENTUDE NO ZAIRE

O governo provincial do Zaire, desapropriou oitenta residências do denominado bairro da juventude, em Mbanza Congo que tinham sido entregues a certos jovens, em 2016 mas que continuavam desocupadas.

O bairro da juventude em Mbanza Congo, situado na localidade de Kilemos, arredores da cidade, tinha sido projectado, desde 2012 para a construção de cem casas sociais destinadas à camada juvenil local, no âmbito do programa habitacional.

Segundo à Angop, o chefe do departamento em exercício do gabinete provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos, António Lopes Lino que falava ao referido órgão, explicou que os beneficiários revelaram-se desinteressados em ocupar os imóveis, daí a decisão da desapropriação.

Avançou também, que outras casas inacabadas deste projecto, mas que foram também distribuídas à alguns que se comprometeram em concluí-las, também poderão ter a mesma sorte.

Assim, “muitas casas foram praticamente abandonadas pelos seus proprietários e que agora encontram-se cobertas de capim e lixo no seu arredor, servindo de esconderijos de grupos marginais”, sublinhou.

Explicou ainda que, após a desapropriação estas residências serão em breve atribuídas à outras famílias necessitadas, mas sem definir os critérios que serão utilizados nesta nova concessão. Por sua vez, a secretária executiva do Conselho Provincial da Juventude (CPJ) no Zaire, Maria Feliz disse que a sua direcção tudo fez no sentido de alertar os jovens beneficiários, para que ocupassem as residências que haviam beneficiado.

“Sabemos que há uma necessidade crescente dos jovens em obter casa própria mas, infelizmente três anos após entrega das residências, os beneficiários simplesmente as abandonaram, por razões ainda desconhecidas”, enfatizou.

O projecto habitacional previa a construção de 100 residências de tipo T3, arruamentos, sistemas de abastecimento de água potável, fornecimento de energia eléctrica, entre outros equipamentos sociais neste bairro da juventude. No entanto, o executivo de João Lourenço pouco ou nada tem feito para dar solução de moradias aos jovens.

C/ LPN
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