Segunda-feira, fevereiro 17, 2020
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Foram encontrados 280 milhões de dólares na conta de escolta do general Dino

Notícias de Angola – Foram encontrados 280 milhões de dólares na conta de escolta do general Dino

O Informativo Angolano soube que, o Serviço Nacional de Recuperação de Activos (SNRA), órgão adstrito a PGR, recuperou USD 280 milhões de dólares encontrados na conta bancaria de um militar das FAA, Daniel Sawa Mulato identificado como ajudante de campo do antigo chefe das telecomunicações da presidência, tenente-general Leopoldino Fragoso do Nascimento “Dino”.

Os fundos em causa, teriam saído das contas do China International Funds (CFI), uma estrutura criada após ao fim do conflito armado que serviu para intermediar transações de crude para China e aplicar os lucros respectivos no financiamento de infraestruturas em Angola. Uma vez que as linhas de credito da China estavam sob comando do CIF, as autoridades angolanas através do Serviço Nacional de Recuperação de Activos decidiram reverter para o Estado, no inicio de 2019.

Porém apercebendo-se que estavam em curso démarches de apreensão e recuperação, os mentores do CIF, segundo fontes do Club-K, transferiram atempadamente a quantia “milionária” para uma conta bancaria detida em nome de Daniel Sawa Mulato, natural da província da Huila, mas que a data dos factos era ajudante de campo de “Dino”, ostentando a patente de capitão incorporado na Unidade da Guarda Presidencial.

Em finais de Março de 2019, o general Leopoldino do Nascimento foi notificado para ser ouvido na Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP), mas não pode comparecer porque justificou – por via dos seus advogados – que estava na Singapura, tendo entretanto, acertado que comparecia para responder no dia 10 de Abril.

Paralelamente, a PGR notificou o ajudante de campo, Daniel Sawa Mulato para esclarecer em que condições este capitão da UGP teria acolhido os 280 milhões de dólares na sua conta bancaria. Depois de interrogado, o capitão passou a manifestar intranquilidade pela situação que foi submetido.

Aparentemente sob forte pressão, e ao ver o cerco apertado com o general “Dino” a deixar o país rumo, a Barcelona – no dia 16 de Abril de 2019 – para acompanhar o antigo Presidente José Eduardo dos Santos, o capitão da UGP tomou a decisão mais difícil da sua vida. Na manha do dia 17 de Abril suicidou-se com um tiro no peito, quando saía para o intervalo do curso que o promoveria a Major, na Escola Superior de Guerra, em Luanda. Deixou na sua viatura, um bilhete que fora recolhido e remetido ao Serviço de Investigação Criminal (SIC) para a devida analise. No bilhete o capitão pedia desculpas a esposa e ao filho pela decisão tomada.

China International Funds (CFI) e a demarcação de “Dino”

A filial em Angola da China International Funds (CFI), que fez a transferência dos fundos para a conta do malogrado capitão tem como empresa mãe, uma estrutura fundada em Hong Kong e que começou a implementar-se no país em 2006 financiando projectos de reconstrução nacional e desenvolvimento. A “empresa mãe” foi registrada em Hong Kong, em nome dos angolanos (Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, Manuel Domingos Vicente, Leopoldino Fragoso do Nascimento), o francês Pierre Falcone, e o cidadão chines Xu Jinghua “Sam Pa”.

Depois de registrada em Hong Kong, os seus acionistas abriram em Angola uma filial que contou com o acompanhamento das advogadas Maria de Lourdes Roque Caposso Fernandes, e Paula Andresa Custodio da Silva e Inglês. A primeira agiu como mandataria da “offshore” Planasmart Internacional e a segunda pela “Utter International Limited”, ambas sedeadas no “centro offshores incorporation” das ilhas Virgens.

Para além de ter funcionado como veiculo o empréstimo chinês a Angola, o China International Funds (CFI), tornou-se na gestora dos trabalhos de construção do novo aeroporto internacional de Luanda, dos imóveis das centralidades do Kilamba, e outros projectos de iniciativa presidencial de então.

Dando sequencia ao desmantelamento dos projectos do Estado sob controlo do CIF, a PGR recuperou esta semana imóveis avaliados em mais de 500 milhões de dólares americanos nas centralidades (Kilamba e Zango 0) que estariam sobre controle desta empresa privada detido por generais ligados ao antigo Presidente da República.

Fonte da PGR, citada pela agencia angop, apresentou, dois cidadãos Fernando Gomes dos Santos e Samora Borges Sebastião Albino como accionistas formais do China International Fund Angola (CIF), porém, nesta quinta-feira (13) a TPA citou os dois acionistas como “testas de ferro” do general Leopoldino do Nascimento. Em reação, “Dino” fez saber através de uma nota distribuída à imprensa que não é “proprietário pessoal de qualquer um dos imóveis citados pela notícia da TPA”.

Samora Borges Sebastião Albino citado como acionista formal do CIF-Angola é notabilizado como o principal “testa de ferro” de Leopoldino do Nascimento em vários negócios. É o PCA do Grupo “Media Nova”, que detém a TV Zimbo, Radio Mais e etc. Representa “Dino”, na empresa de alimentos NDAD. Samora Albino é também, segundo documentos em posse do Club-K, sócio do Grupo Cochan, onde o general detém 97% das participações. O Grupo Cochan funciona no 24º andar do edifício da China International Funds (CFI), na rua Primeiro Congresso do MPLA, em Luanda.

C/ Club-K

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