Sábado, setembro 26, 2020

General Sachipengo Nunda pode ser ouvido hoje no Tribunal Supremo

Notícias de Angola – General Sachipengo Nunda pode ser ouvido hoje no Tribunal Supremo

O Informativo Angolano soube que, o general Geraldo Sachipengo Nunda, ex-chefe de Estado Maior General das Forças Armadas Angolanas, está entre os declarantes do mediático caso Burla à Tailandesa que poderão ser ouvidos hoje no Tribunal Supremo

General Sachipengo Nunda
General Sachipengo Nunda

O anúncio foi feito ontem pelo juiz presidente da causa, Domingos Mesquita, no final da audiência em que foram ouvidos José Varela Maria Gomes Borges, diretor do gabinete do vice- Presidente da República, Rogério Félix Paulo Cambundo, diretor do gabinete de Arquivo e Gestão Documental da Presidência da República, e Santinho Filipe Figueira, diretor do Fundo de Apoio Social (FAS).

Geraldo Sachipengo Nunda havia sido acusado pela Procuradoria- Geral da República de ter cometido um crime de associação criminosa, cúmplice no crime de burla por defraudação na forma frustrada, tráfico de influência e de abuso de poder.

Depois das provas recolhidas pelo tribunal durante a fase de instrução contraditória, concluiu-se que não existem indícios bastante de que cometera tais crimes, razão pela qual passou de arguido a declarante. Além do general está previsto o interrogatório do coronel Dombel, que terá servido de motorista e segurança aos tailandeses da Centennial Energy, supostamente a mando de Geraldo Sachipengo Nunda, e Belarmino Van-Dúnem, ex-presidente do Conselho de Administração da extinta Agência de Investimento e Promoção das Exportações (AIPEX), entre outros.

José Borges declarou ontem, em tribunal, que a empresária Celeste de Brito, uma das acusadas nesse caso, solicitou ao vice-Presidente da República, Bornito de Sousa Baltazar Diogo, a emissão de uma garantia soberana a favor da empresa Centennial Energy, que dizia ter mais de 50 mil milhões de dólares para investir no país. De acordo com o declarante, Celeste de Brito, a partir do exterior, enviava insistentemente mensagens a Bornito de Sousa, dizendo que tinha um investidor disponível a “aplicar uma quantia financeira astronômica” no país, mas, em contrapartida, necessitava de receber uma garantia soberana do Estado. Ambos se conheceram no tempo em que o atual segundo responsável máximo do país, depois do Presidente da República, exercia o cargo de Ministro da Administração do Território (MAT).

Na época, em 2017, Celeste de Brito havia procurado o ministro com o objectivo dar a conhecer ao MAT que havia criado o Natrabank, uma empresa bancária alegadamente vocacionada a apoio de projetos sociais em todo país. Foi a partir dessa audiência, que ocorreu na sede do ministério, que trocaram Contactos telefônicos. José Borges fez questão de sublinhar que foi somente nessa condição, de titular da pasta da Administração do Território, que o seu superior hierárquico se reuniu com a referida cidadã nacional que está entre os dez indivíduos acusados de tentativa frustrada de burlar por defraudação o Estado angolano, com um isco de 50 mil milhões de dólares. Entre os acusados estão quatro cidadãos angolanos, quatro tailandeses, um eritreu e um canadense.

Nas vestes de vice-Presidente, Bornito de Sousa indicara o depoente, na qualidade de seu diretor do gabinete, que entrasse em contacto com ela a fim de ouvir a sua preocupação. Este, por sua vez, por se tratar de um assunto de carácter econômico e alegadamente por notar que Celeste de Brito tinha pouco domínio sobre os procedimentos relacionado ao investimento estrangeiro em Angola, sugeriu ao seu mandatário que seria conveniente o assunto ser tratado por Alcino dos Prazeres Izata Francisco da Conceição, então assessor Econômico e Social do vice- Presidente da República. Ao que o pedido foi aceite.

A alegada falsificação da assinatura de Bornito de Sousa

No entanto, algum tempo depois José Borges recebeu uma mensagem, via rede social whatsapp, de Rogério Félix Paulo Cambundo, diretor do gabinete de Arquivo e Gestão Documental da Presidência da República, na qual constava uma carta alegadamente assinada por Bornito de Sousa. O remetente questionava se a assinatura era verdadeira, ao que respondeu negativamente. Imprimiu a carta e apresentou-a ao seu superior hierárquico. Na sequência, exarou dois documentos: um reportando a Bornito de Sousa que a sua assinatura havia sido falsificada e outra, com o mesmo propósito, ao ministro do Interior, Ângelo da Veiga Tavares.

Neste documento, de modo a contribuir para que os peritos do Serviço de Investigação Criminal (SIC) tivessem uma pista por onde arrancar com a investigação, informavam que suspeitavam de Celeste de Brito alegadamente por ter insistentemente pedido ao vi-Presidente da República uma garantia soberana para um investidor estrangeiro.

Antes de ter sido catapultado para o Palácio da Colina de São José, Rogério Cambundo trabalhava como diretor-adjunto do gabinete de Bornito de Sousa, na época ministro da Administração do Território. Ele foi a segunda pessoa a ser interrogada ontem como declarante. À instância do juiz presidente da causa, Domingos Mesquita, declarou que recebeu a referida carta pela mesma rede social de um amigo que trabalha na Mundial Seguro, identificado por Lito Cativa, que, sabendo da sua ligação de trabalho com o vice-Presidente, solicitou-o para confirmar se a assinatura era autêntica ou não.

“Notei que a assinatura não condizia com as duas assinaturas dele, tanto as que usava nos documentos internos como as que escrevia nos documentos que eram enviado à Presidência da República”, frisou. Diante dessa situação, aconselhou ao seu amigo a não usar esse documento para não ter problemas com as autoridades judiciais. Confirmou que encaminhou o documento para José Borges, por considerar que tal informação não poderia ficar só consigo.

FAS nega ter convidado os tailandeses da Centennial Energy

O diretor do Fundo de Apoio Social (FAS), Santinho Filipe Figueira, declarou que não enviou carta de chamada/convite aos tailandeses da Centennial Energy (Thailand), convidando-os para vir financiar ou investir em projetos de cariz econômico em Angola. Segundo declarou, Celeste de Brito, que havia com eles celebrado um memorando que resultara no consórcio Natrafas, enviou-lhe por e-mail uma carta, em inglês, na qual dizia que tinham interesse em receber o financiamento de fundos provenientes do exterior do país para projetos sociais. “Nunca me passou pela cabeça que era carta de chamada. Estava em inglês. Assinei por ela ter dito que era um dos requisitos que deveria reunir para que os financiamentos viessem ao país”, frisou. Depois de o assinar, reenviou a pessoa com a qual havia celebrado uma parceria em Junho de 2017.

Fonte : O País

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