Sábado, setembro 26, 2020

Debilidade no sistema de saúde decreta quarentena em Angola

Notícias de Angola – Debilidade no sistema de saúde decreta quarentena em Angola

O ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, reconheceu hoje que a debilidade no sistema de Saúde obrigou a decretar quarentena para os cidadãos provenientes de países com surto de Covid-19, apontando Angola como um país de “risco”.

Em declarações à agência Lusa, em Brasília, Brasil, onde se encontra para uma visita de trabalho, Manuel Augusto referiu que a ampla cooperação do país com a China torna Angola num país de risco em relação a ser afectado pelo novo Coronavírus.

“Em relação a um comunicado que o Governo de Angola fez há dois dias, sobre a necessidade de quarentena para os cidadãos que vêm de algumas proveniências, não estamos a fazer mais do que a cumprir as orientações da Organização Mundial de Saúde.

Nesse particular, Angola, pela sua ampla cooperação com a China, é um país de risco nessa matéria”, afirmou Manuel Augusto, após se reunir com o homólogo brasileiro, Ernesto Araújo.

“Temos uma comunidade de mais de 50 mil cidadãos chineses que trabalham em Angola, além do movimento fruto do comércio entre os dois países.

Estamos a tomar medidas preventivas porque será muito mais difícil para Angola se o surto epidémico se revelar, será muito mais difícil tomar medidas curativas porque reconhecemos a debilidade do nosso sector de Saúde. Portanto, se pudermos, através de medidas preventivas, evitar ao máximo o risco de contágio, será melhor para todos nós”, concluiu o governante.

Angola decretou quarentena obrigatória, a vigorar a partir de terça-feira, para todos os cidadãos que tenham estado em países com “casos autóctones” do surto de Covid-19.

Num outro despacho do Governo, cidadãos provenientes da China, Coreia do Sul, Itália, Irão, Nigéria, Egipto e Argélia estão proibidos, a partir de terça-feira, de entrar em território nacional, enquanto durar a epidemia do novo coronavírus, segundo o Ministério da Saúde.

Uma fonte do Ministério da Saúde informou que os “dois documentos são verdadeiros e autênticos”, sendo o comunicado “dirigido aos órgãos de comunicação social” enquanto o despacho ministerial visa dar orientações às instituições e entidades que trabalham nos principais pontos de entrada do país.

O despacho da ministra avisa as companhias transportadoras da obrigatoriedade de informar os viajantes, sendo responsabilizadas “pelo repatriamento imediato” dos mesmos, com os encargos inerentes, se não cumprirem as orientações.

Não foi possível esclarecer até ao momento quais os cidadãos a quem será aplicada a quarentena e quais os que serão proibidos de entrar no país.

Números sobre o surto

O surto de Coronarírus, detectado em Dezembro do ano passado, na China, e que pode causar infecções respiratórias como pneumonia, provocou mais de 3.000 mortos e infectou quase 90 mil pessoas em 67 países, incluindo duas em Portugal. Das pessoas infectadas, cerca de 45 mil recuperaram.

No continente africano foram identificados apenas três casos de infecções, no Egipto, na Nigéria e na Argélia. Além de 2.912 mortos na China, há registo de vítimas mortais no Irão, Itália, Coreia do Sul, Japão, França, Hong Kong, Taiwan, Austrália, Tailândia, Estados Unidos da América e Filipinas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o surto de Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e aumentou o risco para “muito elevado”.

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