Domingo, agosto 9, 2020

Portugal já rendeu perto de 500 milhões a Isabel dos Santos

Mundo – Portugal já rendeu perto de 500 milhões a Isabel dos Santos

Os investimentos de Isabel dos Santos, empresária angolana em Portugal, agora às avessas com a justiça e com contas congeladas, deram um retorno avultado em dividendos e mais-valias.

Esta semana haverá apresentação de resultados da Galp e da Nos e serão conhecidos os valores a distribuir entre os accionistas. O seu destino é uma incógnita no caso de Isabel dos Santos.

Em circunstâncias normais, Isabel dos Santos saberia nos próximos dias quantos milhões de euros teria a receber este ano em dividendos das suas participações na Galp e na Nos, cujos resultados de 2019 serão apresentados esta terça e quinta-feira, respectivamente.

O dinheiro iria somar-se aos 239 milhões de euros encaixados como dividendos da Galp Energia, aos 189 milhões da Zon/Nos, e aos 66 milhões do BPI (dividendos e mais-valia, esta última calculada pelo Jornal de Negócios na data da venda ao Caixabank). Ao todo, valores arredondados, Isabel dos Santos já encaixou 494 milhões de euros com estes negócios em Portugal.

No entanto, a conjuntura actual é tudo menos normal para a empresária, filha mais velha do ex-Presidente de Angola e antigo líder do MPLA, José Eduardo dos Santos.

Aliás, o cenário começou a mudar desde que o novo Presidente de Angola, João Lourenço, ganhou as eleições no Verão de 2017. Arrancou com a exoneração de Isabel do Santos da presidência da Sonangol, logo em 2017, e culminou com o processo que já levou ao congelamento de contas e bens (suas e também do seu marido, Sindika Dokolo, e do gestor Mário Leite da Silva).

Ao contrário do que sucedeu em Angola, e sem que houvesse qualquer explicação do porquê dessa diferença, em Portugal as autoridades apenas congelaram as contas bancárias de Isabel dos Santos.

Como confirmou ao PÚBLICO a Procuradoria-Geral da República (que não emitiu um comunicado oficial), “o Ministério Público requereu o arresto de contas bancárias, no âmbito de pedido de cooperação judiciária internacional das autoridades angolanas”.

Assim, as empresas não foram afectadas, podendo concretizar-se negócios como a venda dos 42,5% que a empresária detém no EuroBic (o Abanca já negociou a compra de 95% do capital do banco, faltando procedimentos de análise às contas e a luz verde do BCE).

Não se sabe os valores que estão em cima da mesa, nem como é que Isabel dos Santos tenciona arrecadar o valor equivalente à sua participação – partindo do princípio que terá dinheiro a receber –, tendo em conta o arresto preventivo das contas em Portugal.

C/ Publico

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