Terça-feira, julho 14, 2020

BPC perdoa crédito de 15 milhões Kwanzas para despedir colaboradores

Notícias de Angola – BPC perdoa crédito de 15 milhões Kwanzas para despedir colaboradores

O Conselho de Administração do Banco de Poupança e Crédito (BPC) apresentou esta semana, aos seus colaboradores, o “pacote de compensações e benefícios” enquadrado no seu “plano de recapitalização e reestruturação”, que prevê a extinção de vários postos de trabalho, o encerramento de agências e o perdão do crédito de até 15 milhões de kwanzas contraído por seus funcionários até 31 de Março de 2020.

As medidas compensatórias, anunciadas pelo presidente do Conselho de Administração do BPC, André Lopes, vão além das indemnizações previstas na Lei Geral do Trabalho (LGT) e resultam da deliberação do seu corpo accionista, que justificou a “decisão extrema” com a fraca qualidade dos activos do banco e o facto de o mesmo apresentar um “desempenho económico e financeiro negativo”.

O BPC, cujos proventos têm sido “insuficientes para cobrir os custos operacionais”, devido à crise de liquidez que se vem agravando ao longo dos anos, prevê, além do perdão de créditos até ao montante global de 15 milhões de kwanzas, a indemnização calculada nos termos da LGT, acrescida de uma compensação financeira de 20% e a concessão de créditos até três milhões de kwanzas, para início da actividade económica” a todos os seus colaboradores que venham a ser abrangidos no processo no plano de recapitalização e reestruturação.

“A redução da estrutura de custo implica actuar sobre os custos com o fornecimento de serviços a terceiros, através da renegociação de contratos e dos concursos públicos, redimensionar a estrutura central e a rede de agências, bem como diminuir os custos com pessoal”, disse o PCA do BPC, fazendo o seu enquadramento.

Constam também do quadro de compensações e benefícios, cuja primeira fase terá início nos próximos dias, o pagamento de duas acções de formação profissional por cada colaborador e a manutenção do seguro de saúde por mais seis meses.

“Perante este quadro de inviabilidade e de insustentabilidade, os accionistas aprovaram o quadro de recapitalização e reestruturação que incorpora, entre outras medidas, a optimização dos custos operacionais, com vista a reverter a actual situação e assegurar o crescimento sustentável da instituição”, justificou António André Lopes.

Segundo o PCA, o redimensionamento do quadro de colaboradores vai, agora, ocorrer de forma gradual, devendo ser ajustado à medida que forem implementando as várias medidas previstas no plano de recapitalização e reestruturação e avaliando os seus impactos.

Neste sentido, André Lopes anunciou que o redimensionamento da força de trabalho obedecerá às seguintes modalidades: reformas antecipadas, auto searcing dos serviços auxiliares, extinção de postos de trabalho decorrente do encerramento de agências e rescisão contratual por mútuo acordo.

Estas modalidades, segundo explicações dadas por André Lopes, visam atenuar os efeitos negativos do plano de recapitalização e reestruturação do BPC, pelo que a sua adopção visou assegurar a “consistência, transparência e objectividade” do referido processo.

Nos próximos dias, o BPC começa a encerrar as agências abrangidas, assim como os postos de atendimento. Neste mesmo período serão também extintos os correspondentes postos de trabalho e ter lugar a consequente rescisão dos contratos de trabalho dos colaboradores afectos às unidades de negócios abrangidas.

“A eleição das agências e postos a encerrar foi baseada em critérios económicos como: o custo operacional e a rentabilidade, bem como a sua localização, de modo a permitir que os nossos clientes continuem a beneficiar dos serviços através dos postos de atendimento circundantes”, esclareceu.

André Lopes considerou como “condições necessárias e incontornáveis para o sucesso do plano de recapitalização e reestruturação”, uma aposta na “qualidade do seu capital humano”, de tal maneira que, reforçou, “em paralelo com as medidas [adoptadas pelos accionistas], o BPC continuará a apostar na capacitação dos seus quadros e nas acções que visam a melhoria da cultura organizacional para o resgate do banco.

C/ Club-K

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