Quarta-feira, junho 3, 2020

Conheça Negro Zumbi : O herói do fim da escravatura

CONHEÇA NEGRO ZUMBI O DESCENDENTE DE ANGOLANOS QUE TEVE CONTRIBUTO DECISIVO PARA O FIM DA ESCRAVATURA E INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

Negro Zumbi também conhecido como Zumbi dos Palmares (1655-1695) foi o último dos líderes do Quilombo dos Palmares e também o de maior relevância histórica para fim da escravatura e independência do Brasil. Descendente de guerreiros Angolanos era sobrinho do líder Ganga Zumba, o qual, por sua vez, era filho da princesa Aqualtune dos Jagas (ou imbangalas), um povo de tradições militares com ótimos guerreiros.

Conheça Negro Zumbi

Negro Zumbi, é uma das figuras mais marcantes no combate a escravatura, sendo ele poliglota (fluente na língua quimbundo, português, latim e exímio conhecedor de línguas banto…), letrado e destímido líder na defesa da liberdade dos povos negros que de todas as maneiras, não admitia a escravidão, a dominação dos brancos sobre os negros e portanto, tornou-se um dos maiores símbolos pela liberdade dos povos negros da história.

Originário de Angolanos, do reino kongo etimologicamente o nome adotado pelo herói é Zumbi de “kazumbi” que é originário da língua quimbundo do norte de Angola que faz alusão aos seres espirituais, como fantasmas, ou alma de uma pessoa falecida, para Negro Zumbi o seu nome fazia referência aos seus ancestrais em Angola.

Negro Zumbi havia nascido livre tendo sido capturado durante a expedição de Brás da Rocha Cardoso e aprisionado quando tinha por volta de sete anos de idade. Entregue aos cuidados do padre jesuíta católico Antônio Melo, recebeu o batismo e ganhou o nome de “Francisco” nome este que Zumbi nunca se identificou. Adolescente de intelecto incomparável Padre Antônio Melo escreveu várias cartas a um amigo, exaltando a inteligência de Zumbi (Francisco).

Inconformado com o sofrimento do seu povo, aos 15 anos fugiu do seminário voltando para o Quilombo dos Palmares onde juntou-se aos seus irmãos de raça e anos mais tarde ainda em terras brasileiras Negro Zumbi tornou-se líder do Quilombo dos Palmares com 25 anos de idade, comandando a resistência contra as topas do governo Português. Durante seu “governo” a comunidade em que liderava cresceu e se fortaleceu, obtendo várias vitórias contra os soldados portugueses. O líder Zumbi mostrava grande habilidade no planeamento e organização do quilombo, além de coragem e conhecimentos militares.

O seu território ocupava uma área equivalente ao atual território de Portugal, tornando-se num dos pioneiros a lutar ativamente na resistência contra a escravidão na América com um exército de cerca de trinta mil homens. Os que lá viviam chamavam o quilombo de Angola Janga (Angola Pequena). Enquanto guerreiro além de combater o exército português com o seu exército dedicou-se a libertar escravos cativas nas fazendas.

Negro Zumbi ganhou respeito e admiração de seus compatriotas quilombolas devido as suas habilidades como guerreiro, a qual lhe conferia coragem, liderança e conhecimentos de estratégia militar ímpares entre os seus antecessores quilombolas.

O Quilombo dos Palmares, nome dado em referência ao número elevado de Palmeiras, existiu por um período de quase cem anos, entre 1600 e 1695. Este Quilombo liderado por Negro Zumbi constituiu-se num abrigo não só de negros, mas também de brancos pobres, índios e mestiços extorquidos pelo colonizador. Os quilombos, que na língua banto significam “povoação”, funcionavam como verdadeiras metrópoles independentes com hierarquia, tendo núcleos habitacionais e comerciais, além de local de resistência à escravidão, já que abrigavam escravos fugidos de fazendas.

O Quilombo do Negro Zumbi era tido com a Terra Prometida, e Zumbi, era considerado o Messias e tido como eterno e imortal, e era reconhecido como um protetor leal e corajoso. Zumbi era um extraordinário e talentoso dirigente militar. Explorava com inteligência as peculiaridades da região. No Quilombo de Palmares plantavam-se frutas, milho, mandioca, feijão, cana de açúcar, legumes, batatas, etc. Em meados do século XVII, administrativamente calculavam-se em cerca de onze povoados. A capital era Macacos, na Serra da Barriga.

Traído por um dos seus soldados, a 20 de novembro 1695 aos 40 anos, Negro Zumbi morre em combate, recusando se render tombou como um verdadeiro herói dignificando os seus antepassados e tornando-se num verdadeiro ancestral Africano. Teve a sua cabeça cortada, salgada e levada com o pênis dentro da boca, ao governador Melo de Castro. Em Recife, foi exposta a cabeça em praça pública no Pátio do Carmo, visando desmentir a crença da população sobre a lenda da imortalidade de Negro Zumbi.

Nesta épica batalha em que Negro Zumbi foi emboscado com um número reduzido de guerreiros ainda assim lutaram até a morte, por outro lado o exército português com várias centenas de militares empunhado armas e canhões teve inúmeras baixas humanas.

Séculos passaram e Negro Zumbi continua a ser uma das maiores referências como símbolo de resistência a escravatura entre os povos das ex-colónias portuguesas e da liberdade dos povos negros.

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